16/03/2021

Menos 500 milhões de embarques em um ano de pandemia

Perda de arrecadação de R$1,2 bilhão compromete deslocamentos diários do carioca

 

Ao completar um ano de mudanças de comportamento social, o Rio Ônibus acumula déficit de receita de R$1,2 bilhão. A média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão. Ao longo do período, deixaram de ser transportados 500 milhões de passageiros na cidade.

O transporte é atividade essencial para manutenção e retomada da economia. Mesmo diante do caos gerado pelo vírus da Covid-19, o setor não parou, e vem fazendo sua parte, encarando as incertezas e mantendo ativa a possibilidade de deslocamento da população.

Para garantia de maior distanciamento entre o público e mais oferta de lugares, são necessários recursos para recuperação e manutenção de veículos. Diferentemente de São Paulo e tantas outras cidades, o Rio não conta com subsídios ou verbas públicas para custeio do serviço de ônibus. Por isso, os cariocas foram muito prejudicados pelo veto do Governo Federal ao auxílio financeiro aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado aos operadores de transportes no país, que garantiria fôlego ao sistema, proporcionando um padrão de viagem mais adequado à população.

Em 2020, além das luzes que se acenderam sobre as deficiências nas regras de custeio de operação e manutenção do transporte público, se observou o crescimento das viagens individuais em carros de aplicativos desregulamentados e dos transportadores de vans piratas. A recorrente falta de fiscalização permitiu que o sistema ilegal avançasse sobre a cidade e deixasse de ser paralelo, acabando com as propostas de planejamento urbano do município e instalando o caos no transporte público.

A falta de subsídios, a fiscalização deficiente ao transporte clandestino e a queda na receita das empresas se somam a questões crônicas, dentre as quais o não ressarcimento pelas gratuidades (20% do total transportado); o congelamento da tarifa há mais de 26 meses; as condições viárias e mobiliário urbano degradado; bem como a falta de investimentos em segurança pública, que resulta em vandalismo, incêndios, paralisação e sequestro de veículos por criminosos em diferentes pontos da cidade.