28/04/2021

Retomada da mobilidade: Rio no fim da fila

Dezenas de prefeituras decidem investir recursos para garantir ônibus em circulação

 

Na contramão de cidades de todo o Brasil, o Rio de Janeiro continua parado, sem garantir incentivos para a manutenção do serviço de ônibus na cidade. O Rio Ônibus destaca que durante a pandemia, pelo menos 29 grandes municípios do país entenderam a necessidade de assumir parte dos custos de manutenção dos sistemas de transporte por ônibus, já que, em função da queda de passageiros, a receita caiu 50%. Assim, as empresas não conseguem dispor da totalidade de suas frotas por falta de verbas, o que em todo o Brasil prejudica o cotidiano de quem depende dos coletivos.

De acordo com pesquisa da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos – NTU, prefeitos de diferentes regiões estão empenhados em garantir a frequência dos ônibus nas ruas e passaram a destinar subsídios aos operadores. As cotas de dinheiro público aportadas pelas prefeituras chegam a R$180 milhões, como é o caso de Curitiba. Entre as cidades mais atentas à necessidade de proporcionar transportes a todos em tempos de Covid-19 está São Paulo, que figura como um caso à parte.

Desde antes da crise atual, a capital paulista já repassava R$3 bilhões anuais para cobrir custos do sistema de ônibus. Mesmo assim, com o agravamento da pandemia e seus impactos econômicos negativos, a administração municipal intensificou a contribuição em mais R$850 milhões, preservando milhares de empregos e a continuidade de centenas de linhas que sofreram drásticas reduções de público a partir de março de 2020.

A necessidade de ajuda para manter de pé este serviço essencial é ponto alto em dezenas de debates entre iniciativa privada e entes públicos, com efetiva participação da Frende Nacional de Prefeitos, que tem recorrido a instâncias como o Senado Federal, no intuito de evidenciar a situação de absoluto sufocamento financeiro do setor, tendo em vista a ausência total de envolvimento do Governo Federal no auxílio às urgências da mobilidade urbana.

Entre as cidades que estão na vanguarda da atenção ao transporte com dignidade na pandemia, destaque para Brasília, com repasses de R$53 milhões; Limeira, com R$10 milhões; Porto Alegre, com R$16 milhões; Porto Velho, com R$6 milhões; Uberlândia, com R$25 milhões; e Vitória, com aportes de R$20 milhões em combustível.

No Rio de Janeiro o sofrimento se mantém, com ameaças de paralisação de rodoviários por salários atrasados, dificuldades para abastecimento e falta de recursos para manutenção e renovação de frota, o que reflete, a cada dia, em mais ônibus parados nas garagens.

– Convivemos com déficits permanentes há mais de uma década. Desde então notificamos ao poder público a necessidade de revisões contratuais, frente às dezenas de mudanças sociais e econômicas do Brasil. A crise financeira trazida pela pandemia escancara a necessidade de construção de um novo marco legal dos transportes, implicando diretamente na carência de alterações de políticas tarifárias e de revisão de contratos. Essa pauta precisa sair do campo dos debates, das dúvidas, para ser efetivada de fato e com responsabilidade pelos governantes – afirma Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.